É muito comum no cotidiano, no que se refere a atração pelo outro, ouvirmos as pessoas dizerem “tem que ter química para rolar….” ou ainda “ele é bonito, tem um papo legal, mas não rolou química”.
Estas frases embora num primeiro momento nos de a sensação que são desculpas usadas pelas pessoas para justificar o seu não desejo de relacionar-se com outro, não que isso não ocorra com algumas pessoas, mas em muitos momentos isso pode ser verdadeiro. A explicação para isso esta no fato que nós seres humanos, embora tenhamos uma longa história evolutiva, que nos permitiu diferenciar-se do outros animais, ou seja, nos tornamos seres pensantes, porém ainda carregamos em nossos genes, informações ligadas a comportamentos primitivos essenciais à preservação e melhoria de nossa espécie. Isso explica nosso comportamento em muitas situações, onde apenas visualizei uma pessoa e senti um forte desejo inexplicável, sem mesmo ter trocado se quer uma palavra com a outra pessoa. Nesse momento entraram em ação, os feromônios. A palavra “feromônio” vem das palavras gregas phéro e hormôn, que juntas significam “trazer excitação”. No mundo animal, os feromônios são “marcas” olfativas individuais encontradas na urina e no suor, que ditam o regulamento sexual e atraem o sexo oposto. Eles ajudam os animais a identificarem-se e escolher um parceiro com sistema imunológico suficientemente diferente do seu para garantir que a descendência seja resistente. Os animais têm um órgão especial no nariz chamado órgão vomeronasal ou OVN, que detecta esse composto químico inodoro. Cabe aqui uma informação importante, a existência dos feromônios humanos foi descoberta em 1986 pelos cientistas do Chemical Senses Center, na Filadélfia e na França – essas substâncias foram encontradas no suor humano. E para provar, sua existência e ação, eles fizeram uma experiência onde um grupo de mulheres cheirou as camisetas sujas de um grupo de homens, e cada uma teve que escolher por qual delas se sentia mais “atraída”. Assim como no mundo dos animais, a maioria das fêmeas escolheu a camiseta do homem cujo sistema imunológico era mais diferente do seu. É importante ressaltar, que isso não é determinante para que a paixão, o amor e até mesmo o encontro sexual se concretize.

Lembra que também citei uma frase comumente falada pelas pessoas no cotidiano que dizia: “ele é bonito, tem um papo legal, mas não rolou química”? , a explicação para isso é que como seres racionais (pensantes) não somos guiados apenas por instintos, ou seja, em algum lugar do nosso subconsciente, existe um modelo de parceiro ideal para o nosso amor. Pesquisas indicam que este modelo está relacionado a três fatores: ferômonios, aparência e personalidade. No que se referem aos dois últimos fatores, pesquisas apontam que habitualmente buscamos parceiros, que tenham aparência e personalidade parecida com a nossa e com a de nossos pais, como uma forma de substituirmos ou preservarmos o amor recebidos deles.

Bem, a partir desse ponto já estamos falando de um sentimento muito importante nos relacionamentos que é o Amor. E para explicarmos e compreendermos melhor certos comportamentos e atitudes ligados a esse sentimento, dividiremos o em 3 fases: desejo erótico, atração ou paixão romântica e união ou compromisso.

A primeira fase, ou seja, o desejo – desenvolveu-se com o propósito da união sexual, enquanto o amor romântico desenvolveu-se pela necessidade de laços para a criação dos filhos. Feromônios, aparência e nossa própria idéia do que buscamos em um parceiro, aliados aos hormônios Testosterona e Estrogênio, são fatores importantes para definir nossos desejos. São estas substâncias químicas que criam o desejo de experimentar o “amor”.Cabe aqui uma observação: se o desejo desenvolveu-se com o propósito da união sexual, podemos entender que mesmo sentindo desejo sexual pelo meu parceiro romântico, ainda assim sinto desejo por outras pessoas. Nem sempre um desejo erótico culmina numa atração ou paixão romântica.

A segunda fase – Atração ou paixão romântica, é conhecido pelas sua capacidade de fazer com que deixemos de ter a capacidade de “pensar racionalmente”, claro no que se refere à pessoa pelo qual estamos atraídos. A nossa incapacidade de enxergarmos os defeitos dessa pessoa, as nossas idealizações, aquele frio na barriga e aceleramento do ritmo cardíaco, tudo isso fazem parte da nossa bioquímica, ou seja, da dopamina, norepinefrina e feniletilamina. A dopamina é considerada o “elemento químico do prazer”, que produz a sensação de felicidade. A norepinefrina é semelhante à adrenalina e causa a aceleração do coração e a excitação. As associações destas duas substâncias aumentam a atenção, memória de curto prazo, hiperatividade, falta de sono e comportamento orientado, isso explica porque pessoas nessa fase ficam tão focadas no relacionamento e deixam de lado todo o resto.

A terceira fase – União ou compromisso. As substâncias importantes nesta fase são a oxitocina, vasopressina e endorfina, que são liberadas quando fazemos sexo. No amor romântico, quando duas pessoas fazem sexo, a oxitocina é liberada, o que ajuda a unir os parceiros. O hormônio oxitocina está associado à habilidade de manter relacionamentos interpessoais e laços psicológicos saudáveis com outros indivíduos. Quando é eliminada durante o orgasmo, ela começa a criar um laço emocional: quanto mais sexo, mais forte o laço. A Vasopressina, um hormônio antidiurético, é outra substância associada à formação de relacionamentos duradouros e monogâmicos. Pesquisadores acreditam que a oxitocina e a vasopressina interferem nas reações químicas da dopamina e norepinefrina, o que pode explicar por que a paixão romântica se apaga (aqueles comportamentos e sentimentos descritos na segunda fase) quando o relacionamento se fortalece. Nesse momento o parceiro começa a ter defeitos. Você fica se perguntando por que ele mudou. Na verdade, ele provavelmente não mudou nada; é você que agora consegue enxergá-lo de maneira racional, sem o filtro dos hormônios do amor cego e apaixonado. Nessa fase, ou a relação é forte o suficiente para durar, ou termina.

Se o relacionamento prossegue, outros elementos químicos entram em cena. As endorfinas, por exemplo, ainda garantem a sensação de bem-estar e segurança. Além disso, a oxitocina ainda é eliminada quando você faz sexo, produzindo sentimentos de satisfação e união.

Agora a escolha é sua de qual fase você deseja viver, lembrando que para sua união ser forte e duradoura não depende unicamente da química, mas também de você ser forte e persistente em enfrentar e suporta uma série de desafios e problemas comuns aos relacionamentos.

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